2020 até agora

23/12/2020

é quase 2021 e, embora todo mundo já esteja de saco cheio de 2020, acho que vale uma pequena retrospectiva pessoal desse ano tão esquisito. ultimamente tenho me sentido muito triste vendo as notícias e o desenrolar dessa pandemia, e mais triste ainda quando tento pensar no futuro. acho que é um exercício muito cruel tentar ficar adivinhando o que vai acontecer, quando sabemos que, pelo menos num futuro próximo, nada de bom nos aguarda coletivamente.

individualmente, tento pensar no meu ano e no que já aconteceu até aqui. foram muitos altos e baixos e, embora eu tenha essa tendência ao drama, confesso que tive alguns momentos especiais pra comemorar. parece que faz anos, mas foi no começo do ano, ainda em janeiro, que eu estava colando grau e finalizando um ciclo total de 10 anos (com interrupções) na faculdade. foi uma das melhores partes da minha vida e muito do que aprendi (não só academicamente) envolveu esse período. guardo com muito carinho o perímetro daquele campus na minha cabeça e no meu coração.

 


como cereja do bolo, logo após a formatura eu recebi uma proposta de emprego efetivo na empresa em que estagiava. doeu, mas que tive que recusar pelo motivo a seguir.

a mudança de cidade. parece uma loucura olhando pra trás, mas quem diria que no começo do ano estaríamos eu, I. e toda uma mudança dentro de um carro pra cruzar mais de metade do país? foi isso que fizemos. em 3 dias vivemos 3 meses. não sei porque na época não escrevi mais sobre nossas impressões e como foi muito bom ter feito essa viagem de carro que nos levou a diversas reflexões sobre como o nosso país é realmente enorme e diverso, passei a entender aquela visão de que conhecemos muito pouco de tudo isso. no começo do ano ainda estava tudo muito verde pela região que cruzamos, pois o inverno (que é como chamamos o período de chuvas) tinha apenas começado e já era promissor, e toda aquela natureza ao nosso redor numa estrada sem fim era simplesmente impressionante. 

 


 

a casa nova. a casa nova, na cidade nova, foi um grande achado. um casal de amigos desocupou esse apartamento e já resolvemos mudar pra ele. não podíamos ter tomado uma decisão melhor. aos poucos, ao longo do ano, fomos ocupando esse espaço e fazendo dele nossa casa, o que foi muito acolhedor durante o período de isolamento. mesmo estando longe da família, consigo me sentir muito bem ali.

 


 

enfim... 2020 teve muita, muita coisa ruim no meu ano e de muita gente, eu sei, mas ele teve seus méritos. não espero muito de 2021, mas pelo menos agora não tenho expectativas, nem grandes planos. espero que do outro lado da tela você tenha um ano melhor, leitor(a), de verdade.

o fio de cabelo branco

02/12/2020

não lembro o que eu estava fazendo, quando P. chegou gritando na sala: "olha o que eu acabei de achar!" e segurava com certo orgulho um fio de cabelo branco.

"é meu primeiro fio de cabelo branco", dizia chegando perto de mim pra eu ver bem que, de fato, era um cabelo branco. eu logo perguntei a primeira coisa que me veio à cabeça:

"nossa. o que você vai fazer com isso?"

"ah não sei. acho que nada." e guardou o fio de cabelo no bolso. 

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eu sempre gosto de rir dessa história que aconteceu comigo, porque a inação de P. me diverte. eu, que sempre fui muito proativa, penso em mil soluções antes que o problema de fato aconteça (ansiosa detected), desde então tento fazer o exercício de parar e pensar pra algumas questões: é, não tem o que fazer. fim.

desde 2016 a minha vida mudou muito. se eu pudesse conversar com a minha versão pré-2016, acho que só conseguiria dar risada diante da minha ingenuidade e falta de imaginação pra tragédia. pra cada ano que se passou desde então, eu coleciono uma pequena (as vezes não tão pequena) tragédia pessoal.

antes que desanime o(a) leitor(a), não vou falar de todas de uma vez. nem sei se vou falar de todas um dia. mas, honestamente? com algumas coisas que aconteceram eu aprendi lições que até valeram a pena, enquanto com outras não, não aprendi nada, foi um monte de sofrimento e perda de tempo desnecessários. a essas coisas, eu tento dar essa chance de esquecimento colocar dentro do bolso e não fazer nada.

2020 tem sido difícil pra todos os lados que olho. tem muita gente que eu amo e quero bem sofrendo, com problemas sem fim, a vida adulta é mesmo cruel às vezes. mas eu espero que dê pra gente encontrar um ou outro problema que se resolva por inação. deixa pra lá. no ponto em que estamos, as vezes é necessário um pouco de autoproteção pra viver uns dias como se tudo estivesse sob controle.

 

desenho em três quadros. no primeiro, um homem encara um avião com uma faixa que diz: não há nada acontecendo. no segundo, um homem lê jornal com a manchete: tudo normal. no terceiro, uma cidade com a mensagem: tudo normal, espalhada por ela.
por André Dahmer

hello hello

27/11/2020

há muito tempo atrás, eu lembro que meu pai tinha um computador no escritório de casa e me deixou usar. eu era uma criança e gostava de jogar batalha naval, entrar no site da mônica e chats. anos depois, já adolescente, meu hobby era baixar música, gravar cds e criar layouts pros blogues dos meus amigos, depois de ver um livro de HTML largado em casa que ajudava com o básico e usar o frontpage no laboratório de informática da escola. bem, eu mesma já tive mais de um, dois três, quatro... até o centésimo blog, esse daqui.

depois do instagram ter se tornado uma grande vitrine, eu senti uma vontade de compartilhar as coisas de um jeito diferente, como fazíamos com os blogues, e então resolvi dar mais uma chance. não sou mais a adolescente animada em compartilhar com os amigos as idas ao shopping ou a nova música do evanescence rs, mas quem sabe ainda existe alguém que se sente desse mesmo jeito e simplesmente gosta de abrir janelas de textos aleatórios sobre a vida de outras pessoas? eu lembro que era divertido. e espontâneo, coisa difícil nos dias de hoje.

não prometo fotos bonitas (me falta a paciência rs), nem atualizações constantes, sequer um conteúdo minimamente interessante. mas prometo tentar, certo? já é um começo.

olá pra você, leitor(a). é 2020. fiz um blog. que ano mais esquisito. ficamos assim: te escrevo mais no futuro ;)